Termos financeiros sem economês: 18 palavras traduzidas
Termos financeiros explicados em português simples: rotativo, CET, juros compostos, negativação, protesto, score e outras palavras que aparecem na sua conta.
Os termos financeiros que mais confundem são os que aparecem justamente na hora de pagar: rotativo, CET, amortização, negativação, protesto. Abaixo estão 18 deles, traduzidos em português de gente, com um exemplo em reais quando ajuda.
Parte do que prende a gente na dívida é não entender as palavras. Quando a gente não entende, aceita qualquer proposta por vergonha de perguntar. Esse glossário existe para você nunca mais assinar nada no escuro.
Não precisa ler de uma vez. Salve a página e volte sempre que uma palavra estranha aparecer na fatura, no contrato ou na ligação de cobrança.
Termos financeiros do cartão e do banco
Juro rotativo
É o juro que o cartão cobra sobre o pedaço da fatura que você não pagou. Pagou só o mínimo, ou qualquer valor menor que o total? O resto entra no rotativo. É uma das linhas de crédito mais caras do país.
Duas regras ajudam a limitar o estrago. Desde 2017, o saldo só pode ficar no rotativo até a fatura seguinte; depois, o banco precisa oferecer parcelamento ou outra condição. E desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 limita os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura ao valor original da dívida. Uma dívida de R$800 pode chegar a R$1.600, não mais que isso.
Parcelamento da fatura
É quando o banco transforma o saldo que você não pagou em parcelas fixas, com juros. Costuma ser mais barato que ficar no rotativo, mas ainda é caro. Antes de aceitar, olhe o CET da proposta (veja abaixo).
Cheque especial
É um limite que o banco deixa disponível na sua conta corrente. Quando o saldo fica negativo, você está usando dinheiro emprestado, com juros por dia de uso. Desde 2020, uma resolução do Conselho Monetário Nacional (a 4.765/2019) limita esses juros a 8% ao mês. Parece pouco, mas ao longo de um ano passa de 150%.
CET (Custo Efetivo Total)
É o preço real de um empréstimo. A taxa de juros é só uma parte; o CET soma juros, tarifas, impostos como o IOF e seguros embutidos. Dois empréstimos com a mesma taxa podem ter CETs bem diferentes. Por regra do Banco Central, a instituição tem que informar o CET antes de você contratar. Se o atendente não falar, pergunte. Comparar propostas pelo CET é o jeito mais honesto de comparar.
Juros compostos
É juro sobre juro. No mês seguinte, o juro é calculado em cima da dívida que já cresceu. Exemplo ilustrativo com 10% ao mês sobre R$1.000: no primeiro mês vira R$1.100; no segundo, R$1.210; no terceiro, R$1.331. Não é a mesma conta de "10% vezes três". É por isso que dívida parada cresce tão rápido.
Amortização
É a parte do pagamento que abate a dívida de verdade. Numa parcela de R$500, pode ser que R$200 sejam juros e só R$300 sejam amortização. Quando você antecipa parcelas ou faz um pagamento extra, a amortização aumenta e os juros futuros diminuem.
Refinanciamento
É trocar uma dívida por outra, geralmente com prazo maior. Pode baixar a parcela, mas nem sempre baixa o custo total. Se a parcela cai de R$600 para R$350 e o prazo dobra, faça a conta do total antes de comemorar.
Portabilidade de crédito
É levar uma dívida de um banco para outro que cobre menos juros. O novo banco quita a dívida antiga e você passa a pagar a ele. Desde julho de 2024, isso também vale para o saldo devedor do cartão de crédito. Quando você pede a portabilidade, o banco original pode fazer uma contraproposta, e às vezes ela é boa.
Palavras da cobrança
Inadimplência
É o nome técnico para estar com uma conta em atraso. Inadimplente é quem deixou de pagar algo no prazo. A palavra assusta, mas descreve uma situação, não uma pessoa.
Negativação
É quando o credor registra a sua dívida em um cadastro de inadimplentes, como Serasa, SPC ou Boa Vista. É o famoso "nome sujo". O Código de Defesa do Consumidor (art. 43) exige que você seja avisado por escrito antes, e limita a informação negativa a cinco anos. Depois que você paga, o credor tem cinco dias úteis para pedir a retirada, segundo a Súmula 548 do STJ.
Protesto
É o registro de uma dívida em cartório. Serve como prova oficial de que um título (boleto, cheque, nota promissória) não foi pago. Também afeta o crédito, mas não é crime e não leva ninguém à prisão. Um detalhe que pega muita gente: depois de pagar, normalmente é você quem precisa pedir o cancelamento no cartório, com uma carta de anuência do credor, pagando as taxas do cartório.
| Negativação | Protesto | |
|---|---|---|
| Onde fica | Cadastros como Serasa, SPC, Boa Vista | Cartório de protesto |
| Quem registra | O credor, por meio do birô | O credor, levando o título ao cartório |
| Depois de pagar | O credor pede a baixa (5 dias úteis) | Em regra, o devedor pede o cancelamento |
Prescrição
É o prazo que o credor tem para cobrar uma dívida na Justiça. Para a maioria das dívidas de consumo com documento, como contrato ou boleto, esse prazo costuma ser de cinco anos. O nome sai dos cadastros de inadimplentes em até cinco anos, mas isso não significa que a dívida "sumiu". As regras sobre o que o credor ainda pode fazer depois disso são discutidas na Justiça, então desconfie de quem promete que "dívida velha caduca e pronto".
Avalista
É quem garante a dívida de outra pessoa, assinando junto. Se quem pegou o dinheiro não paga, o avalista pode ser cobrado. Antes de ser avalista ou fiadora de alguém, entenda que você está assumindo a dívida como se fosse sua.
Superendividamento
É a situação de quem, de boa-fé, não consegue pagar todas as dívidas de consumo sem comprometer o básico para viver. A Lei 14.181/2021 criou regras para esses casos, incluindo a possibilidade de um plano de pagamento com todos os credores juntos. Os detalhes estão no texto sobre direitos do devedor.
Palavras da economia que mexem no seu bolso
Taxa Selic
É a taxa básica de juros do país, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) em reuniões ao longo do ano. Quando a Selic sobe, empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais caros, e alguns investimentos passam a render mais. Quando cai, acontece o contrário.
CDI
É a taxa que os bancos usam para emprestar dinheiro entre si por um dia. Ela anda bem perto da Selic. Você vai ver muito em investimentos: "rende 100% do CDI" quer dizer que acompanha essa taxa.
Spread
É a diferença entre o que o banco paga para conseguir dinheiro e o que ele cobra de você no empréstimo. Inclui o lucro do banco e o risco de calote. É uma das razões pelas quais o juro do cartão é tão maior que a Selic.
Palavras do seu plano
Score
É uma nota de crédito, calculada pelos birôs como a Serasa, que tenta prever se você vai pagar as contas em dia. Na Serasa, vai de 0 a 1.000. Pagar em dia, manter os dados atualizados e ter um histórico no Cadastro Positivo ajudam. Desconfie de quem cobra para "aumentar seu score": não existe atalho pago e legítimo.
Reserva de emergência
É um dinheiro guardado só para imprevistos: saúde, conserto urgente, perda de renda. Ela é o que impede o próximo susto de virar a próxima dívida. Pode começar pequena. O texto sobre reserva de emergência mostra quanto custa não ter uma.
Orçamento
É o mapa de para onde vai cada real que entra. Não precisa ser uma planilha bonita. Um caderno com "entrou, saiu, sobrou" já é um orçamento, desde que você olhe para ele toda semana.
Como usar esse glossário na prática
Quando receber uma proposta de acordo, de empréstimo ou de parcelamento, faça três perguntas antes de dizer sim: qual é o CET? Qual é o valor total que vou pagar no fim? O que acontece se eu atrasar uma parcela?
Se a pessoa do outro lado não souber responder, ou ficar irritada com a pergunta, isso já diz muito sobre a proposta. Peça tudo por escrito, por e-mail ou WhatsApp, e só feche quando entender cada palavra. Se ainda tiver dúvida sobre as expressões da cobrança, o artigo palavras da cobrança aprofunda essa parte.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre juros simples e juros compostos?
No juro simples, a taxa é calculada sempre sobre o valor inicial. No composto, ela é calculada sobre o valor que já cresceu, então os juros também rendem juros. Quase todas as dívidas do dia a dia, como cartão e empréstimo, usam juros compostos.
O que é mais caro: rotativo do cartão ou cheque especial?
Os dois são caros. O cheque especial tem um teto de 8% ao mês desde 2020. O rotativo não tem teto mensal, mas o total de juros e encargos não pode passar do valor original da dívida, pela Lei 14.690/2023. Na dúvida, compare o CET de cada um na sua situação.
Dívida caduca depois de cinco anos?
O nome sai dos cadastros de inadimplentes em até cinco anos, por causa do Código de Defesa do Consumidor. Mas "caducar" não é o termo certo: a dívida não deixa de existir por mágica. Antes de contar com isso, procure orientação no Procon ou na Defensoria Pública.
Por que o banco é obrigado a informar o CET?
Porque a taxa de juros sozinha esconde tarifas, seguros e impostos. O CET reúne tudo num número só, permitindo comparar propostas de forma justa. Por regra do Banco Central, ele tem que ser informado antes da contratação.
Conteúdo educativo sobre organização financeira. Não é recomendação de investimento nem consultoria individual. Antes de assinar acordos, leia as condições com atenção e, se precisar, procure o Procon ou a Defensoria Pública da sua cidade.